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terça-feira, 23 de julho de 2013

Papo de Mulherzinha?

Há dois anos atrás quando iniciei mais um grupo no Círculo de Mulheres uma das mulheres presentes em nosso segundo encontro levantou-se e se posicionou a frente de todas dizendo:
"Que papo de mulherzinha! Isso é muito idiota".

Naquela noite ao término do círculo as mulheres que ficaram presentes até o final me retribuíram um enorme abraço e algumas até indagaram que ela não sabia o que falava,

Em casa passei alguns dias repensando o "papo de mulherzinha", até porque nos demais encontros ela não retornou mais.
Repensei meu trabalho, meu foco com os círculos de mulheres, meu foco com o meu "Sagrado Feminino".

Porque um Círculo de Mulheres?
Mulheres são tecelãs
Tecem sonhos com fios de lágrimas...
Mulheres são tecelãs.
Tecem vidas em suas barrigas
Com esperanças e alegrias infantis.
Mulheres são feiticeiras.
Inventam magias e encantamentos.
E atraem e cativam com um simples olhar.
Mulheres são meninas.
Acreditam em príncipes e finais felizes.
Mulheres são guerreiras
Enfrentam a luta com galhardia.
E não esmorecem mesmo quando cansadas.
Mulheres são sabias.
Trazem em si toda a sabedoria do mundo.
o repartir entre os filhos,o pão,o carinho e o
próprio tempo.
Mulheres são especiais.
Mulheres são seres próximos dos Deuses.
Mulheres são mães.
A mais perfeita tradução do mistério da eternidade da alma.
(Rita Licks)

Nos últimos 10 anos de trabalho com o Sagrado Feminino tive a honra de celebrar com:
Mulheres que reviveram e se transformaram nos círculos resgatando a sua sacralidade, valores, o direito de ser, de estar.
Mulheres que aprenderam sobre seu Universo que foi velado durante anos.
Mulheres que criaram uma consciência maior de si mesmas, do meio aonde habitam, da natureza e do universo.
Mulheres que reaprenderam a fazer da luta do dia-a-dia um movimento de transformação e retransformação que se reconectam a sua essência e a sua alma.
Mulheres que passaram a honrar os seus ciclos.
Mulheres que honraram o seu Caminho Sagrado quando se deram conta do conhecimento intuitivo inerente a sua natureza receptiva.
Mulheres que encontraram o seu caminho e a sua missão sendo Mulheres!


A recuperação do princípio feminino se baseia na amplitude. Consiste em recuperar na Natureza, a mulher, o homem e as formas criativas de ser e perceber. No que se refere à Natureza, supõe vê-la como um organismo vivo. Com relação à mulher, supõe considerá-la produtiva e ativa. E no que diz respeito ao homem, a recuperação do princípio feminino implica situar de novo a ação e a atividade em função de criar sociedades que promovam a vida e não a reduzam ou a ameacem. (Shiva, 1991, p.77 apud Siliprandi, 2000, p.65).

O trabalho com o Sagrado Feminino é o resgate da força feminina, a reestabilização, a cura das Guerreiras Feridas.

Na troca com outras Guerreiras Feridas a mulher encontra diversas maneiras de celebrar uma união consigo mesma na liberdade de Ser e sentir.


As mulheres honram o seu Caminho Sagrado quando se dão conta do conhecimento intuitivo inerente à sua natureza receptiva. As mulheres precisam aprender a amar, compreender, e, desta forma, curar umas às outras. Cada uma delas pode penetrar no silêncio do próprio coração para que lhe seja revelada a beleza do recolhimento e da receptividade". — Jamie Sams
Papo de Mulherzinha?
Adorooooooo

Beijos para todas as Deusinhas!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A mulher e os ritos de passagem

Ritos de passagem, como o próprio nome diz, marcam transições definitivas e definidoras de rumos. Mais que exigências culturais, os ritos de passagem são exigências da construção e da afirmação da identidade humana frente ao que o mundo nos apresenta. Diante deles, somos chamados a nos posicionar, a fazer escolhas, a agir com coragem na direção de algo novo, abandonando uma margem segura e conhecida.

Não é à toa que vemos muitas pessoas completamente atordoadas diante do casamento, talvez um dos maiores rituais humanos de passagem, fora a morte e o nascimento. É preciso realmente uma alta dose de desprendimento, coragem e uma direção certeira da vontade para mudar o status de "disponível e à procura" para o de "já decidi o que quero e estou dedicada a uma pessoa só".



Casamento

O casamento modifica a identidade da garota que passa a ser "dona" de sua casa e passa a receber do mundo uma diminuição de sua valorização como símbolo sexual, e em contrapartida recebe olhares que esperam uma postura de transmissora dos saberes e mantenedora dos valores sociais "corretos". E isso não se refere somente às mulheres que têm filhos, mas a todas as casadas. Afinal, uma garota que mantém dois namorados é apenas uma garota em dúvida, mas uma mulher que mantém dois parceiros é considerada uma adúltera. A sociedade entende que a mulher casada é alguém com o compromisso de formar uma família ou uma parceria. Estar comprometida é ser responsável por algo e isso tem um peso social.



Mudanças da puberdade
Na medida em que o rito do casamento se refere a uma escolha consciente, a uma tomada de decisão para mudança de status social, outros rituais, como a primeira menstruação e as mudanças corporais da puberdade são, ao contrário, inconscientes, instintivos e livres de qualquer escolha. A adolescência, afinal, é o mundo dos hormônios.

A menina, quando menstrua, também percebe as mudanças de olhares para si, especialmente da parte dos homens. A menstruação é uma marca física que se torna um rito cultural de passagem da infância para a adolescência e a consequente descoberta da sexualidade, da sedução e dos artifícios e poderes femininos. Geralmente, é acompanhada pelo crescimento dos seios e por outras mudanças corporais significativas, que lançam a mulher no campo do desejo.


Virgindade
A perda da virgindade é outro marco que traz uma mudança de status definitiva para a mulher. Por mais que existam operações de fechamento do hímen, não existe volta moral depois de seu rompimento. A virgindade é "perdida" como se fosse um tesouro feminino, guardado a sete chaves para ser arrebatado pelo bravo cavaleiro. A perda da virgindade moralmente é como um roubo abrupto da inocência, mesmo nos casos consentidos. Não que na prática isso seja efetivo ao pé da letra, mas socialmente existe essa marca, e ainda hoje se discute a virgindade em alguns posicionamentos religiosos, indicando que esse ritual é mais impactante do que se imagina.



Cirurgias plásticas

Não se pode deixar de falar hoje de um ritual que passou a ter uma representação social bastante forte para as mulheres: as cirurgias plásticas e as consequentes mudanças corporais, de autoestima, de posicionamento no mundo. É como uma adolescência consentida pelo livre-arbítrio. É quando decidimos brincar de Deus e modelar nossa forma ao sabor de nossa mente. Algo com uma força psicológica incrível e incomparável a outros processos. Ah, se houvesse silicone na época de Marilyn, talvez as divas teriam descido de seu universo mítico. Hoje se vê divas no metrô e essa evidência da sexualidade promove um jogo de poderes bastante forte.


Gravidez
Um ritual muito interessante do ponto de vista do amadurecimento feminino é a gravidez. Não pode existir marco mais reformulador da imagem, do status, da personalidade, do papel social, enfim... de toda a identidade da mulher. A gravidez é um estado que anuncia a exclusividade da mulher de gerar uma vida em si mesma, tornando-a, por aquele momento, especial, diferenciada. Um dos raros momentos, antes da velhice, em que podemos desfrutar socialmente de uma condição moralmente protegida, imaculada, intocável. As grávidas são portadoras de vida e portanto são cuidadas por toda a sociedade. É uma benção que marca a mudança do papel de filha para mãe.


Separação
A separação tornou-se um ritual moderno de destaque. Os divórcios hoje são bastante comuns (nem tanto quanto os casamentos, mas ainda sim, muito freqüentes). Para a mulher, o que já foi símbolo de desprestígio e desvalorização social, hoje geralmente representa uma libertação, após longo período de dor.


Menopausa
A menopausa é um dos rituais mais silenciosamente dramáticos da mulher. É o sinal de que a outra idade, aquela da qual temos medo, está logo adiante. É um sinal evidente de que a vida está caminhando para sua metade final. A degradação do corpo, o cansaço, o aparecimento das primeiras rugas e desgastes na pele, a saída dos filhos de casa, o fim da menstruação - lembremos que a menstruação está ligada a um passado sexualizado da mulher - todos símbolos de um recolhimento, um desinvestimento da mulher como objeto de desejo e sua preparação para o enfrentamento da velhice.

Para finalizar, vale relembrar os "pequenos" rituais femininos, como o primeiro beijo, a primeira viagem sem os pais, o primeiro buquê de rosas, a primeira paixão, a primeira melhor amiga, a entrada na faculdade, a festa de formatura, os primeiros passos e as primeiras falas do filho, e entre tantos outros que marcam nossa trajetória feminina. Ser mulher é ser marcada fortemente pelo impacto dessas mudanças.

Texto de Clarissa de Franco

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Eu sou Mulher


segunda-feira, 1 de julho de 2013

Encerrando Ciclos

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos, não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.


Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor.
Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

 Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.

Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.

Glória Hurtado

recebido de Aline Godinho

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Luz

Arte de Lu Pantoja (Orkut)

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sagrado Feminino


quinta-feira, 6 de junho de 2013

A repressão do feminino


O que a repressão do feminino faz conosco, como indivíduos e sociedade? Como podemos nos "regenerar"?
Quando o princípio feminino de Eros é reprimido, não há relação com a essência mais íntima de uma pessoa, com o gênero humano e com a natureza. Sem a característica mediadora do vínculo comum, o poder ergue uma poderosa mão. A sensação de poder dá origem ao orgulho ou a um ego cheio de si, que por sua vez polui o coração e nos transforma em pessoas endurecidas e cínicas. Essas atitudes estão refletidas na sociedade. Pensar é mais importante do que sentir; a ciência é mais importante do que as artes. Não há equilíbrio. Os valores sociais tornam-se duros, enquanto o militarismo, o consumismo e a política em alta estima. E as emoções e a natureza humanas afetuosas viram pó.
Sem o elemento do amor divino mediando a experiência sexual, a gratificação tem vida curta. Nós perdemos a reverência pela generosidade da natureza e de todas as coisas vivas. O coração não se comove, a alma não é nutrida e a dimensão espiritual não é percebida. Os homens perdem a experiência da intimidade não só com a mulher exterior, mas também com sua própria natureza feminina inconsciente, a anima. De modo análogo, sem observar os dons abençoados da natureza feminina, as mulheres ou se aviltam ou abusam de seu corpo, ou usam-no de maneiras flagrantes para satisfazer as necessidades do ego. Um antigo mito de Afrodite conta sobre mulheres que a receberam com desdém, redicularizaram-na e zombaram dela. Ela transformou-as todas em pedra. Da mesma forma, as mulheres, hoje, não estão imunes a ficar duras e empedernidas quando não se tem respeito pelo divino feminino.
Receio que não haja nenhuma poção mágica para a regeneração. Os passos iniciais tanto para os homens quanto para as mulheres podem ser tão simples quanto fazer um esforço para maravilhar-se com a lua da deusa ou para admirar uma delicada rosa vermelha. Podemos agir de formas que revelem uma preocupação genuína com o gênero humano e com o nosso planeta. Não podemos reconstruir o Templo do Amor no nosso mundo exterior, mas podemos construí-lo a partir de dentro. Podemos lembrar-nos da bênção da deusa e, como a prostituta sagrada, trazer seus dons para o mundo.

Qual é a verdadeira força do divino feminino? Como ele se reflete nas mulheres de hoje?
A força que as mulheres de todos os tempos possuem está manifestada numa ligação interna com a natureza feminina. Sua essência independe da reação dos outros. Ela faz o que faz porque isso está em harmonia com explorações internas de seu self único - a antítese absoluta do desempenho do papel de uma "mulher sensual". Ao trabalhar e viver dentro de um sistema patriarcal, ela talvez não possa mudar o sistema, mas tampouco permite que ela a mude. A mulher leal à sua natureza feminina pode não ser considerada bonita, sensual ou provocante pelos padrões atuais; ela é mais plenamente reconhecida pela sua calma, por um calor que emana de dentro. Existe uma característica definitiva de sua presença que quase desafia a definição. Essa mulher traz em si a bênção do divino feminino não para exaltar seu próprio ego, mas com reverência, a fim de levá-lo adiante no mundo.

In: A verdadeira história de Maria Madalena: OS SEGREDOS DA MULHER MAIS INSTIGANTE DA BíBLIA, de Daniel Burstein e Arne J. de Keijzer - p. 94, 95